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O BAMBÚ E A ÁRVORE, UMA TEORIA ADMINISTRATIVA.
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| 16/03/2010 |
Na China certa vez após uma grande chuva tempestuosa, um menino olhava desolado para a destruição acometida pela intempérie, e notando algo que ninguém mais havia reparado perguntou ao pai:
“- Papai, porque as árvores centenárias que são grossas e fortes, quebraram e caíram todas, e os bambus que são finos, e frágeis permanecem todos em pé?”
O pai olhando também desolado e pensante disse:
“- Meu filho as árvores e os bambus podem ser comparadas com as pessoas, as pessoas árvore são grossas, fortes e rígidas, fazem questão de fincar suas raízes, estabelecer sua opinião e jamais aceitar que nenhum tipo de mudança aconteça, não aceitam mudar de local, não gostam de tempestades, mas acham que por serem rígidas demais são indestrutíveis. Já as pessoas bambu, não tem tanta rigidez, nem são tão grossas, e por terem raízes pequenas podem até ser mudadas de lugar que sobrevivem e se adaptam com facilidade, mas possuem uma qualidade que nem a maior de todas as árvores possui, SÃO FLEXÍVEIS.”
O menino entendendo bem o que seu pai havia lhe dito comentou:
“- Então o senhor que dizer que existem dois tipos de pessoas, as rígidas e as flexíveis?”
O pai respondeu:
“- Sim, em todo lugar do mundo existem esses dois tipos de pessoas, em qualquer tipo de sociedade, raça, cor, ou credo, a grande diferença é que as pessoas bambu não quebram facilmente com a tempestade, elas envergam, balançam, torcem, ricocheteiam, mas dificilmente se quebram, isso porque tem flexibilidade o suficiente para resistir as intempéries da vida.”
Na administração também é assim, existem sempre esses dois grupos de pessoas, porém as que parecem ser mais rígidas, duras e grossas são as primeiras que “quebram” após uma tempestade, pois quando se lida com pessoas, nem todas tem a mesma forma de pensar, nem a mesma forma de agir, por isso a flexibilidade é fundamental.
Quando uma pessoa decide ser árvore não é algo que faça parte da personalidade dela, mas sim uma forma de trancar-se num “mundo particular”, e não aceitar mudanças de forma alguma em qualquer tipo de situação, as árvores são limitadas, e demonstram sempre uma rigidez que já não é aceitável para o mercado, e muitas vezes essa seriedade e resistência a mudança é interpretada de uma forma errada, e visto com maus olhos pela sociedade que acaba confundindo essa forma peculiar de ser com falta de educação, o que é claro, é intolerável.
Já as pessoas bambu, tem toda a flexibilidade necessária para enfrentar qualquer intempérie, por mais forte que seja, enfrentam chuviscos, chuvas, tempestades, furacões, e o que vier pela frente, pois, os compradores querem cada vez mais flexibilidade, muitas vezes a concorrência ou a baixa do mercado fará a empresa envergar, balançar, torcer, ricochetear, mas mesmo assim sobreviverá a tempestade. Essa qualidade é adquirida quando o empresário entende que ninguém é igual a ninguém, e que assim como as pessoas mudam, o mercado também muda, as exigências são cada vez maiores, e não há espaço para erros. Entender o cliente, suas formas de agir e de pensar é uma obrigação a ser seguida pela empresa, senão sucumbirá facilmente a pressão do comércio que está cada vê mais especializado no tratamento ao cliente.
Muitas empresas imaginam ser árvore, enraizadas e inderrubáveis, porém quando os lenhadores (a concorrência) aparecem, são abaladas enormemente, e descobrem que é melhor ter a flexibilidade do bambu do que a rigidez de uma cecóia.
Diversificar e aceitar mudanças é fundamental, entender o que o mercado quer, e compreender suas mudanças pode ser o diferencial entre a vida ou a morte da pessoa jurídica, porém quando ela morre não existe velório nem marcha fúnebre, mas sim uma enorme tristeza para o dono dela, que terá que arcar com despesas grandiosas, processos trabalhistas, indenizações, despesas judiciais, reforma e entrega do imóvel, entre outros inúmeros custos que desbancam o caixa do finado empresário, e causam geralmente um grande trauma quanto ao mercado. Não é raro ouvir histórias de empresas que faliram, e por conseguinte, seus donos desapareceram, pois sentem uma profunda insatisfação pessoal e ficam decepcionados com o mercado, mas não entendem que o problema aconteceu por não terem tido flexibilidade o suficiente para entender a necessidade e a mudança constante que ocorre no mundo complicado do comercio.
Cabe a cada pessoa decidir ser árvore ou bambu, mas com a historinha contada no inicio do artigo, dá pra entender que a flexibilidade é muito mais vantajosa do que a rigidez. Devem sim existirem regras, e serem seguidas, mas quando trata-se do ser humano, esse ser pensante e discordante, e difícil de ser agradado, a flexibilidade é fundamental, saber entender, compreender, ouvir, discutir, e aceitar bem as críticas, são qualidades que devem ser treinadas diariamente, e demonstradas olho no olho com os clientes, pois são eles quem ditam as regras do mundo financeiro, são eles que determinam se um produto é bom ou não, se uma empresa é boa ou não, e indiretamente definem se a pessoa jurídica terá uma vida saudável e feliz, ou um fúnebre e triste fim.
O ideal seria um misto de árvore com bambu, ter a imponência e resistência da árvore, oferecendo sombra e conforto para aqueles que descansam embaixo dela, oferecendo frutos saborosos, força e vitalidade, mas também ter a flexibilidade do bambu, para que as tempestades comerciais não abalem sua estrutura e sejam capazes de se adaptar as novas exigências cada vez mais crescentes, e resistir a todos os “El ninhos” que aparecerem no caminho.
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Jorge Augusto Monteiro Carriça
Admnistrador de Empresas - CRA: 23.237
Perito Judicial Administrador Registrado no Conselho Federal de Justiça
Professor de Administração de Empresas.
email: jamc.adm@hotmail.com
site: http://jamc.zip.net
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